Livros Infantis - Dicas e resenhas

Olá! Atualmente tenho trabalhado como professora substituta no curso de TO da USP, aqui em São Paulo; neste semestre, estou responsável pela disciplina sobre Desenvolvimento Infantil, para o segundo ano de graduação.

 

As alunas do curso produziram, como atividade da disciplina, uma resenha sobre um livro infantil. Tal atividade teve como objetivo aproximar as alunas do contexto da literatura infantil, bem como aprimorar o olhar para a relação entre criança, linguagem e desenvolvimento. 

 

As resenhas ficaram incríveis! E, com anuência delas, vou postar por aqui... Fiz algumas pequenas alterações, só para ajuste de texto mesmo. 

 

Vale compartilhar! Dicas valiosas que podem ajudar você na vida profissional e pessoal. Para você que é professor, está aí uma sugestão de atividade para a sala também! 

Livro: Somos todos extraordinários

Autora e ilustradora: R. J. Palacio

Editora: Intrinseca

 

Alunas: Fernanda Moreira & Giovanna Caetano

 

Tendo em vista a leitura do livro "Somos todos extraordinários", o qual se trata de uma versão para crianças do best seller "Extraordinário", elaboramos esta resenha para instigar os questionamentos acerca do motivo dessa leitura ser importante para as crianças (e para quais ela é direcionada), com base nos assuntos discutidos em sala.

Já sabemos que a fase de alfabetização demanda estímulos que auxiliem no processo de aprendizagem, e livros infantis são uma ótima forma de despertar o interesse da criança pela leitura, além de mergulhá-la em um mundo de novas histórias, envolvendo funções cognitivas e estimulando a imaginação. Alem disso, os livros também podem manifestar o poder de educar socialmente através das histórias, principalmente quando elas possuem um viés relacionado a questões sociais cotidianas. E é sobre esse tema que o livro trata.

"Somos todos extraordinários" conta a história de Auggie, um menino que se sentia diferente dos outros por ter nascido com uma deformidade facial. A autora, nesta edição dedicada ao público infantil, retrata de maneira leve e repleta de ilustrações os sentimentos de Auggie, o modo como ele se sentia diferente das outras crianças e até mesmo excluído por elas em diversos momentos do seu cotidiano, principalmente no ambiente escolar. A mensagem passada é de que todas as pessoas são incríveis, cada uma com seu jeito único e independente de padrões impostos. 

O livro se encaixa para crianças que já tenham iniciado o processo de aprendizagem da leitura; é interessante que ela esteja na fase das indagações acerca das questões relacionadas ao meio social (por volta dos 06 anos de idade) e frequentando a escola. É de suma importância este contato da criança no ambiente escolar e em outros locais públicos, de modo que a mesma entenda na prática que a diversidade social existe, que as pessoas são diferentes e são igualmente extraordinárias. 

 

 

 

 

Livro: A vovó virou bebê

Autora: Renata Paiva

Ilustradora: Ionit Zilberman

Colaboração: Dr. Norton Sayeg (Associação Brasileira de Alzheimer)

Editora: Panda Books

 

Alunas: Gabriela Martins & Jenifer Bastos

 

O livro "A vovó virou bebê" conta a história de Sofia, uma menina de sete anos que está passando por um momento confuso, não conseguindo compreender a maneira como sua avó Dorinha está se comportando. Então, sua mãe procura explicar para a garota qual é o motivo de tamanhas mudanças na maneira de agir de sua avó e de toda alteração na rotina familiar.

Esta história tem como público alvo crianças a partir dos 7 anos de idade, pois já é possível para a criança compreender de maneira inicial as situações que circundam o cenário familiar. Entretanto, ainda podem precisar do auxílio de adultos diante de circunstâncias mais complexas, como o caso de algum idoso próximo à crianças ser diagnosticado com a Doença de Azlheimer.

É em um contexto como esse que o livro pode servir como suporte aos pais, auxiliando no momento de explicar para a criança a condição delicada enfrentada pelo idoso. Pode ajudar a criança a sanar possíveis dúvidas sobre o quadro da doença, ensinando alternativas para vivenciar esse momento delicado de maneira menos dolorosa e a orientando para que, com gestos simples, também possa contribuir no cuidado.

É válido salientar que, apesar do livro voltar-se mais especificamente ao público infantil, qualquer pessoa pode beneficiar-se de sua leitura, já que o uso de uma linguagem simples, fora da esfera clínica, também facilita o entendimento para adultos e idosos, em todos os graus de escolaridade.

Embora a obra disponha de muitos pontos positivos, constata-se que ela pode ser cansativa, dependendo do leitor ou a quem é lida, pois é mais longa do que as histórias infantis costumam ser. Sendo assim, é recomendado que a criança que a lê, possa-o fazer de acordo com o seu próprio ritmo de aprendizagem ou que o adulto a leia em etapas para a mesma, procurando instigar a curiosidade e o interesse na continuidade da leitura. 

Apesar de abordar um tema delicado - a Doença de Alzheimer - a narrativa é leve, didática, não possui um final triste, e mostra que é possível uma convivência de qualidade com as pessoas que possuem tal doença neurodegenerativa.

Certamente, a história de Sofia traz contribuições significativas para a criança e seu âmbito familiar, agregando maior conhecimento sobre as circunstâncias da enfermidade e colaborando para que o enfrentamento das adversidades ocorra de maneira mais saudável para todos os envolvidos. 

 

 

 

 

Livro: Manual para encenar "A canção dos direitos da criança"

Autor: Elifas Andreato

Parceria com: Toquinho

Alunas: Beatriz Soares dos Anjos & Caroline Soares Leite

 

Nascido em 1946, no Paraná, Elifas Andreato realizou trabalhos como programador visual de teatro, assistente de cenografia, diretor de arte e capista de discos de vinil, sendo capista a profissão que lhe rendeu mais popularidade e possibilidade de contato com renomados artistas da MPB. Entre suas produções artísticas, o livro "Manual para encenar A canção dos Direitos da Criança" foi produzido em parceria com Toquinho, em 1999, compondo uma obra infantil na qual as músicas de Toquinho acompanham o decorrer da história.

O livro tem início com a história do Avoar Passos Dias, um garoto sonhador que foi esquecendo do que é ser criança, até que embarca em uma aventura, na busca de um tesouro desconhecido. Nessa aventura, recebe ajuda de seus brinquedos, que são caracterizados por serem alegorias das emoções do Avoar e ganham vida através da imaginação do garoto.

A história inicial está em formato ilustrado, com frases curtas e simples, de modo que só é possível se aprofundar no contexto dessa história ao ler o roteiro teatral nas páginas seguintes. É nesse roteiro que temos contato com as músicas do Toquinho e com o âmbito dos direitos da criança, o foco a ser retratado. Além disso, o roteiro permite reflexões acerca de assuntos como a vaidade, a ganância, o alcoolismo, o autoritarismo, o cuidado com o planeta e a importância do brincar. 

A organização do livro compõe-se de cinco etapas: 1) A apresentação dos direitos sob perspectivas de autoridades públicas no assunto e da perspectiva do autor, o qual apresenta os motivos que inspiraram tal criação; 2) Apresentação dos personagens; 3) Contação da história; 4) Roteiro para encenação de uma peça teatral e musical; e 5) Manual para montar objetos presentes na história. E mais, no final do livro, há um CD com 22 faixas cantadas por Toquinho, cujas canções estão presentes no roteiro e conversam com a proposta de conhecer os direitos da criança.

Levando em consideração a estrutura do livro, o público-alvo é bem variado. Enquanto existe uma demanda de crianças com idade mais elevada para encenar a peça (algo a partir dos 12 anos, dependendo da capacidade de abstração da criança, pois alguns personagens exigem maior complexidade), o público que irá assistir pode ser de idade menor. O teatro será apresentado não só como uma atividade lúdica de entretenimento, mas - através do brincar - valores e direitos poderão ser assimilados pelo público que assiste (e por aquelas crianças que encenam). 

Mesmo para as crianças menores, que possuem dificuldades em separar o concreto do imaginário, o contato inicial com a pauta dos direitos pode ser uma atividade bem-vinda e ter bons resultados, de modo que a criança poderá entender - a partir de uma maneira simples e divertida - alguns direitos importantes, como o respeito à diversidade, o direito ao cuidado, entender que não é normal sofrer violência, e demais pautas levantadas pela história.

Os temas abordados são demasiadamente interessantes e merecem atenção e debate. Recomendamos a leitura do livro e a reflexão sobre os direitos das crianças, para que a consciência seja criada desde cedo e que tais informações sejam passadas. A abordagem lúdica informativa do livro é muito acessível, com o ponto super positivo de ser acompanhado por um CD com as canções. 

Vale a pena conhecer mais essa obra que deu super certo, na parceria de Elifas Andreato e Toquinho.

 

Livro: O vovô virou árvore

Autoras: Regina Chamlian e Helene Alexandrino 

Editora: SM Editora

 

Alunas: Isabela Martins de Souza & Sofia Saiani Vegro

 

O livro "Vovô virou árvore" conta a história de uma família de tartarugas que moravam juntas em uma toca na floresta. No retrato da vida cotidiana, mostra-se a divisão das tarefas e, principalmente, o vínculo entre o avô e seus netos, em especial com Albertina. O avô costumava transmitir seus conhecimentos para as crianças por meio de histórias. O desfecho do livro se dá com a morte desse personagem; no entanto, o tema é abordado de uma forma natural, fazendo relação com o ciclo natural da vida: "Uma árvore grande e folhuda, de tronco rugoso e carregada de flores. Árvore que era a cara do vovô". 

Esse livro reforça a importância das relações familiares para a formação da criança, a medida que a afetividade possui papel fundamental no desenvolvimento. A relação da criança com os seus familiares deixa marcas que serão levadas por toda vida. 

O livro mostra para a criança que a morte não é o fim. Mesmo quando algo se vai, as lembranças e os conhecimentos permanecem, sendo motores para a transformação da vida. 

 

Livro: O livro da família

Autor: Todd Parr

Editora: Panda Books

 

Alunas: Letícia Santos & Tifani Ferreira

 

"O livro da família" (originalmente "The Family Book") aborda - como o título informa - aspectos da família; todavia, não o faz de forma tradicional e pragmática, representando as variações do conceito de família em uma leitura voltada ao público infantil.

A contemporaneidade traz consigo novos debates acerca da definição do que é família. Em 2016, houve um movimento através da hashtag #todasasfamilias, que almejava a ampliação dos verbetes de dicionário para que estes pudessem ser abrangentes às novas composições. Porém, o livro publicado em 2003 de Todd Parr já englobava a diversidade humana, visto que não cataloga um estereótipo do que deve ser a família, permitindo que todas as crianças identifiquem-se como parte de uma, e também, não atribuindo menor ou maior valor a cada composição.

O livro é recomendado para crianças a partir do início da alfabetização (por volta dos 5-6 anos) ou para crianças mais jovens acompanhadas de um adulto. A linguagem é clara e sempre representada por ilustrações simples, coloridas e didáticas, algo que atrai as crianças. Outro ponto a ser tratado sobre as ilustrações é que elas são simples, o que pode incentivar as crianças a desenharem suas próprias famílias.

Um ponto negativo a ser comentado é a fala "Toda família gosta de abraçar", pois parte de um padrão idealizado, excluindo crianças vítimas de violência ou integrantes de famílias que utilizam outras expressões de afeto. Contudo, tal detalhe não desmerece a qualidade do livro e a importância do mesmo para o público infantil, pois trata da diversidade presente na sociedade.

 

Livro: Começo, meio e fim 

Autor: Frei Betto

Editora: Rocco

 

Alunas: Ana Carolina Carrer & Bianca Barreto da Silva

 

O livro "Começo, meio e fim" é extremamente sensível e cuidadoso ao abordar o tema da morte e de sua representação na vida de uma menininha, que se vê confrontada pela doença de seu avô. A narrativa é simbólica e poética, mas ao mesmo tempo próxima à linguagem infantil, principalmente na faixa etária dos 7 aos 11 anos.

Esta idade se encaixa muito bem ao livro, pois é nela que a criança possui maturação suficiente para compreensão de conceitos presentes na obra. Aspectos como o início da construção de valores morais e o aperfeiçoamento do raciocínio lógico (mas ainda baseado em situações concretas) ocorre com a protagonista, sempre associando seus familiares à doces conhecidos, algo que ajuda na compreensão da subjetividade e singularidade de cada um dos personagens presentes na obra.

O declínio do egocentrismo também ocorre nessa idade, preparando a criança para a percepção da morte do outro. É nessa fase também que as pessoas passam a despertar maior interesse da criança, bem como sua colaboração com os outros - o que explica o interesse tão profundo da protagonista em relação aos outros personagens.

O autor consegue trabalhar a questão da perda de um ente querido na infância sem perder a ternura, com sensibilidade, a partir da perspectiva da criança, que elucida seus questionamentos e reflexões. A história coloca a crianças como sujeito, apropriada de sua subjetividade e singularidade, capaz de elaborar reflexões filosóficas e ontológicas; um sujeito que observa o mundo com seus próprios olhos, que percebe a vida e reage a ela de maneira única.

Livro: Você continuará a me amar? 

Autora: Carol Roth

Editora: TodoLivro

 

Alunas: Ana Paula Ramos & Lina Kato 

 

O livro infanto-juvenil "Você continuará a me amar?" aborda questões que ressaltam à convivência social. Trata-se de uma história que envolve mães animais e uma mãe humana em conversa com seus respectivos filhos, na qual emergem indagações angustiadas dos filhos sobre a permanência das atividades cotidianas, do amor e do cuidado materno para com eles, uma vez que estão prestes a ganhar irmãozinhos.

A obra é recomendada para crianças a partir de 6 anos, pois nele encontram-se frases que são mais extensas e elaboradas, possuindo estruturas variadas e um vocabulário mais amplo. A leitura pode auxiliar as crianças na compreensão e aceitação da gravidez de suas mães, uma vez que tal processo pode causar sentimentos contraditórios e ambivalentes, como raiva, medo ou ciúmes. Para além disso, ela estimula o desenvolvimento de habilidades diversas, como leitura, criatividade, imaginação, estímulo visual e valores familiares, bem como promove aprimoramento de capacidades cognitivas, como a concentração, por exemplo.

Ao final do livro, encontram-se diversas atividades, como perguntas para serem feitas pelos pais ou por professores, baseadas em interpretação de texto, além de ideias e recomendações de jogos e brincadeiras que estimulam a convivência familiar, incentivam gestos de carinho e desenvolvem capacidade de  raciocínio e memória.

A autora do livro, Carol Roth, mora em New Jersey (EUA) com seu marido, tem dois filhos e três netos. É professora de jardim de infância, com formação em Educação Infantil. Sempre engajada no mundo literário, é membro da Academia Americana de Literatos Voluntários e publicou sete livros infantis. Neste livro, trabalhou com Daniel Howarth, responsável pelas ilustrações que deram vida à história. Ele e a família moram em um chalé em Devon, no qual dividem espaço com mais dois cães, dezessete galinhas, quatro patos e um coelho.

Livro: O pato, a morte e a tulipa

Autor: Wolf Erlbruch

Editora: Cosacnaify

Alunas: Barbara Tiemi & Yohanna Gaiotto

O livro "O pato, a morte e a tulipa" aborda a temática do ciclo da vida. Indicado a crianças a partir de 7 anos, para uma leitura com auxílio dos responsáveis. O conteúdo do livro alude a processos de adoecimento de forma direta e indireta, proporcionando à criança uma aproximação com a temática da morte.

Na história, o pato recebe a visita da morte e, de forma inocente, abraça a presença dela amigavelmente. A partir dessa amizade, de forma lúdica e humanizada, a morte estabelece um laço com o pato, retratando o rio da vida e os valores atribuídos à finitude da vida em sua complexidade.

Portanto, esta companheira que usa pijamas e sorri com simpatia, demonstra ao amigo que a morte não precisa ser um processo tão assustador e, através da brincadeira e de novas descobertas, pode-se enfrentar o medo... 

Mas... E a tulipa? Em nossa perspectiva, a tulipa é o símbolo do amor eterno, representando o laço estabelecido entre as duas personagens. 

Livro: Histórias de avô e avó

Autor: Arthur Nestrovski

Ilustrações: Maria Eugênia

Editora: Companhia das Letrinhas

Alunas: Apoena de Jesus & Vitória Santos

O livro retrata a história do autor e sua relação com seus avós, ilustrando histórias familiares e nos apresentando a perspectiva de um garoto e suas memórias afetivas. O livro é marcado por uma narrativa do cotidiano, em que o autor utiliza linguagem simples para relatar experiências que vão desde o ábaco de seu avô até os pasteizinhos de uva de sua avó.

A leitura é indicada para crianças a partir dos 7 anos, se considerarmos que essas já apresentam capacidades relacionadas à abstração. A leitura pode propiciar um senso de pertencimento, a partir do reconhecimento da criança sobre sua importância no núcleo familiar, reforçando estes vínculos. Tais aspectos são fundamentais para a construção da afetividade da criança, sendo o livro uma boa ferramente para incrementar esse processo.

Através dos relatos, o autor nos mostra um pouco do que foi sua infância e quais contextos em que o mesmo estava inserido, dizendo-nos muito sobre si mesmo. Recomendamos a leitura para que as crianças possam desfrutar da mesma experiência. 

Livro: Você é dono do seu corpo

Autora: Cornelia Spelman

Ilustrações: Teri Weidner

Editora: Todolivro

Alunas: Fernanda Cristina da Silva & Rafaela Camargo

Com 17 páginas bem ilustradas com imagens que mostram contato físico, a autora traz um assunto de extrema relevância neste livro. A obra explicita a diferença entre os tipos de contato físico e a não obrigatoriedade de ter tal contato com todas as pessoas e situações, ou seja, frisando a importância do "não" e do espaço pessoal.

Muitas vezes, obrigamos as crianças a darem "beijinho" nos familiares, abraçar desconhecidos, como se isso demonstrasse educação ou mesmo simpatia, sendo que nós adultos não fazemos isso com todos. O contato físico limita-se a pessoas próximas e em momentos que nos sentimos confortáveis para tal; colocar as crianças nessa situação pode causar desconforto e tirar o controle que ela tem sobre seu corpo - corpo esse que já é vulnerável e, muitas vezes, visto como um corpo sem direitos.

Esse livro é recomendado para crianças acima dos 6 anos de idade. O livro é indicado tanto para escolas, tendo orientações para professores, quanto para ler em casa, trazendo orientações para os pais e responsáveis. Traz, por exemplo, algumas orientações interessantes para os adultos sobre o que fazer antes da leitura (como encontrar um local apropriado) e durante (como algumas perguntas que trazem o tema para o cotidiano da criança), além de apontar ainda o "nível" de leitura que a criança necessita para ler sozinha, se quiser. Foi classificado como nível 3, pois possui frases maiores, vocabulário mais amplo e uma história mais complexa, sendo mais indicado para crianças que são confiantes quanto à leitura.

A temática do livro se faz importante a longo prazo. Winnicott, pediatra e teórico da psicanálise, reforça como o contato físico é fundamental para a criança compreender o amor; porém, se ela demonstra desconforto, precisamos nos atentar a isso e sermos facilitadores dessa interação, mostrando que podemos negar uma demonstração de afeto e continuarmos a gostar dessa pessoa.

"Você é dono do seu corpo" aborda inclusive a questão do abuso sexual, ensinando onde ficam as partes íntimas e que estas não devem ser tocadas e que nenhum toque que deva ser mantido em segredo é bom. A autora utiliza linguagem amigável e agradável, fazendo dessa uma leitura imprescindível. 

O livro traz mais questões importantes, como: confiar em seus responsáveis, sabendo que seus sentimentos são levados em conta; a importância de saber nomear as partes íntimas; expor toques indesejados, os quais muitas vezes se iniciam com cócegas ou mesmo algum toque "comum"; e a empoderar as crianças sobre o que elas gostam, para que o adulto seja sempre um facilitador das relações, identificando com facilidade aquilo que a incomoda e mediando, se for necessário. 

O corpo da criança pertence a ela e é importante saber que ela pode rejeitar toques - por mais inocentes que sejam.

Livro: Quando mamãe ou papai morre. Um livro para consolar as crianças

Autor: Daniel Grippo

Ilustrações: R. W. Alley

Aluna: Renata Cristina Silva

Este é um dos livros da coleção "Terapia Infantil", e está voltado a consolar e amparar crianças que estão sofrendo com a tristeza da perda de um dos seus pais ou de ambos.

A obra tem como público-alvo as crianças alfabetizadas (para lerem sozinhas) e as crianças não alfabetizadas, para serem acompanhadas por seus professores, responsáveis ou qualquer outra pessoa que tenha interesse em auxiliá-las nesse processo de luto, tendo o livro como um guia para as conversas.

Na situação do luto, o autor aborda maneiras possíveis de manter a força e a união em conjunto à família nesse momento sensível - incluindo, por exemplo, momentos de estranhamento nas refeições nos quais a configuração do núcleo familiar já não é mais a mesma, ou nas celebrações de datas especiais - ressignificando tais situações e mantendo memórias agradáveis.

O livro aborda de forma delicada a validação do direito de se sentir triste com a saudade e de chorar quanto tiver vontade. Conduz também como lidar com sentimentos de solidão, raiva, medo e até culpa. 

Por fim, o autor leva ao consolo uma abordagem cristã, colocando Deus como um pai e mãe presente para a criança e reforça a garantia da criança desabafar e falar com alguém sobre o assunto que a entristece; além disso, recupera ainda que ela pode e voltará a ser feliz.

Leitura de extrema importância no processo do desenvolvimento infantil da criança que vive perda de pessoas queridas, pois prioriza os sentimentos genuínos que envolvem o cotidiano e as relações da criança, guiando-a para que os mesmos sejam canalizados e entendidos da melhor forma possível.